Devido à grande busca pela suplementação, e aos resultados positivos que ela pode trazer ao praticante
de atividade física, a Impacto Nutrição Esportiva faz um alerta aos usuários sobre a cautela no uso desses produtos, uma vez que a a alimentação equilibrada deve caminhar junto à suplementação.
Os micronutrientes (vitaminas, minerais e oligoelementos) desempenham papel importante na proteção dos tecidos corporais em relação ao estresse oxidativo. Além disso, são fundamentais na produção de energia, síntese de hemoglobina, manutenção da saúde óssea e função imunológica. De um modo geral, os micronutrientes presentes em dietas balanceadas e diversificadas em alimentos, com aporte calórico suficiente para atender a demanda energética, são suficientes para as necessidades do esportista (2,3). Na realidade nada é capaz de substituir as vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes existentes em uma alimentação balanceada. Porém, nossos hábitos alimentares e estilos de vida somados ao baixo teor de nutrientes de alguns alimentos em função dos processos de cultivo e produção, cozimento, armazenamento e transporte, podem fazer com que a alimentação não forneça todos os nutrientes necessários ao organismo.
A Associação Dietética Americana (ADA) recomenda a suplementação em algumas situações especiais, como o uso de ácido fólico em gestantes, cálcio na vigência de osteoporose e osteopenia, ferro para anemia e para indivíduos que não possuem uma alimentação adequada em calorias e variada em alimentos. Para atletas, a mesma instituição orienta que a suplementação pode ser utilizada quando o esportista estiver em fase de emagrecimento, apresentar a necessidade de retirar algum alimento ou grupo alimentar da dieta, doença ou deficiência de determinado micronutriente. Alguns trabalhos, que avaliaram atletas em regime de treinamento intenso, sugerem o consumo de vitamina C e vitamina E entre 500 e 1.500 mg/dia, para melhor resposta imunológica e antioxidante. No entanto, essa informação está baseada em baixo grau de evidência científica. De qualquer maneira, nenhuma suplementação pode ser consumida sem a avaliação do médico ou nutricionista, para que não haja prejuízo para a saúde humana (1).
O zinco está envolvido no processo de respiração celular e sua deficiência em atletas pode gerar anorexia, perda de peso, fadiga, queda no rendimento em provas de endurance (resistência) e risco de osteoporose. Entretanto, as evidências científicas não justificam o uso sistemático do zinco em suplementação nutricional. Segundo a DRI (Dietary Reference Intakes), a dose diária recomendada para adultos é de no máximo 11 mg/dia de zinco para homens e 8 mg/dia para mulheres (2-5).
Atletas em dietas de restrição calórica podem sofrer deficiências no aporte de minerais. A falta de cálcio e ferro, por exemplo, pode causar fadiga e anemia, afetando a performance (desempenho) e o sistema imunológico. Recomenda-se que a dieta contenha quantidades mínimas de 1.000 mg/dia de cálcio, 15 mg/dia de ferro para mulheres e 10 mg/dia para homens. Tais necessidades são contempladas pela manipulação dietética e, em último caso, pela suplementação multivitamínica (2-5).
Contudo, o estresse dos exercícios pode resultar numa adaptação bioquímica muscular que aumenta as necessidades nutricionais. O ajuste da dieta, em termos de macronutrientes, para as maiores necessidades calóricas decorrentes das atividades esportistas, proporciona concomitantemente ajuste no consumo de micronutrientes. Portanto, o estilo de vida saudável, incluindo dieta balanceada, elevado consumo de frutas e vegetais ricos em nutrientes com ação antioxidante e de acordo com as DRIs, é a melhor maneira de orientar esportistas e atletas. Se houver necessidade do uso de suplementos alimentares, é importante que se mantenha a alimentação da forma mais saudável possível e que se tenha a orientação de um profissional especializado.
Luana Martins
Nutricionista da Impacto Nutrição Esportiva
Fonte:
Graziela Ravacci
Nutricionista e Professora de Educação Física formada pela UNESP. Mestranda do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do laboratório Metanutri da FMUSP.
Referências Bibliográficas: